24 fevereiro, 2012

Ao observar as ondas, sinto-me em paz. É um momento onde posso refletir que a vida não se difere muito do ir e vir das ondas. Tudo é transitório, tudo deixa marca. A areia fica marcada e modificada pelo mar que avançou e agora recuou. Absorve um pouco dele e bem, eu também sou assim. Coisas vieram, coisas foram, eu mudei, eu estou mudando. Hoje sei algumas coisas sobre mim, cheguei a algumas conclusões, e talvez eu me conheça um pouco.
Fiz algumas loucuras, ainda faço. Alimento algumas coisas... Sou complexa demais, eu não me compreendo. Mas tenho orgulho de mim. Demorei um tempo para acordar, para ver que as ondas iriam embora, que me marcariam, não adiantaria que eu tentasse prende-las... Assim como não adianta querer saber até onde o mar irá avançar. Esse conhecimento não me pertence. Que responsabilidade seria se me pertencesse! E já estão de bom tamanho as responsabilidades que carrego... Minhas loucuras, novamente. Mas tenho me orgulhado de mim.

Geovana
23.02.2011, 09h27min PM.

21 fevereiro, 2012

Embriagado pelo encanto da ausência que aos poucos toma conta do meu ser. Distante do hoje, preso no ontem e perdido no amanhã. Sem saber em que espelho reconhecerei minha face, se descrevo meus traços e se ainda sou mortal. Em um mundo que não idealizei, de surpresas e fantasias irreais. Nada está onde deveria estar. Nem eu.


16 fevereiro, 2012

Salva-me.

     Escrevo a ti que habitas dentro de mim. Salva-me desta melancolia tão aprisionadora... Faça-me encontrar a força que está aí, perto de ti, a se esconder. E que ela então tenha como função ajudar-me a realizar os sonhos que meus olhos refletem.
     Ah, meu amor, sabias tu que és o motivo do brilho em meus olhos? Meu sorriso bobo, sem graça, tímido... Apenas existe por ti, por ti! És o único motivo.
     Mas, amor, essa melancolia me aprisiona todo dia. E tu não estás, e em teu lugar ela. Que me faz cometer delitos imperdoáveis comigo mesma... Veja, estou com cicatrizes. Cicatrizes agora externas, por dentro não há mais lugar.

O Surto

Queria escrever a minha angústia a minha amargura a minha insatisfação queria falar sobre o nó na minha garganta sobre o embrulho no meu estômago sobre as marcas na minha pele queria te contar os meus segredos mas segredos não são pra ser contados são então guardados EM MIM EM MIM SOMENTE EM MIM! Meu desequilíbrio minha incompreensão minha falta de não-sei-o-que minha ladainha minha irritação minha fortaleza meu jeito errado de ver as coisas minhas coisas minhas coisas de ninguém minha impaciência meus exageros minha frieza meu excesso de calor minhas vontades meu egoísmo meus defeitos minha dose errada de qualquer veneno que não me mate meu querer meus sonhos minhas histórias minha realidade meus altos e baixos meus amigos meus inimigos que desconheço meus pensamentos sombrios minha atração pelo imaginário minha sei-lá-o-que ninguém-quer-saber meus pensamentos descontrolados despontuados desorganizados incompreensíveis que fazem SURTAR SURTAR E SURTAR!

15 fevereiro, 2012

História Mal Escrita

 O casal da mesa ao lado me parece ser tão feliz! Ele massageia as mãos dela, enquanto ela sorri contando alguma história entusiasmada. “Sua hora vai chegar!” São palavras que ressoam em minha cabeça, minha hora do quê? Hora de ser feliz em alguma escolha, talvez.
Mas estou aqui, sentada sozinha na mesa de um bar. A voz do cantor dessa noite até me encanta, mas essa música me faz lembrar de uma história da qual não era para mim. Mais uma história que vivi de forma errada. E eu não ligo pras outras, eu realmente queria ter vivido mais nessa.
Em que espelho teu sou eu que vou estar a te ver sorrindo?
Essa música realmente não deveria estar sendo cantada nessa noite fria. Vou pedir mais uma dose de conhaque e acho bom que os olhares ao redor não me acusem. Porque estou cheia de condenações, cheia de exigências, cheia de interesses.
Não há sentido em mim, para coisas que pra todos existe sentido. Eu era tão diferente no passado, minha forma de ver tudo, meus desejos, minhas ambições.
Não vou viver como alguém que só espera um novo amor...
Eu realmente não vou viver assim, até porque não o quero de novo. Não quero mais desse veneno. Não quero! E eu vou voltar a ser quem eu era. Voltar a usar meu batom vermelho, soltar meu cabelo, e colocar o meu sorriso mais verdadeiro à mostra novamente. E minha independência irá atrair alguém, e aí eu irei deixar de ser completamente desapaixonada. Ah, não, essa história eu já vivi!

- Garçom, por favor, mais uma dose. E um novo amor.

09 fevereiro, 2012

Eu aqui
Contando as estrelas
Minhas
Do meu chão
Eu aqui
Onde deveria estar

Sonhadores Demais!

     Havia escrito às flores, destinei palavras ao vento, mas optei por apagar. Dei de presente ao lixo, como se merecessem tais coisas! E outrora o fiz, embora tenha me arrependido. Sou extremo, não sei ser diferente assim...
    Havia notado a diferença entre os humanos. Os iguais com suas peculiaridades, os diferentes com suas coisas em comum. Você, entretanto, sem peculiaridades ou coisas em comum. Quem é você que caminha a sonhar? Percebe que o mundo parece não ser pra você, e ainda assim constrói casas e faz de castelos, para dar realidade a fantasia que costuma alimentar. Esquece-se que não está sozinha, agindo como se estivesse, chorando por sentir-se só. Pega no sono em meio a lágrimas, acorda, nota que não está só. E sorri.
    Tão simples como seu sorriso ilumina dias sombrios, tão simples que não ouso complicar. Mas percebo que por vezes seu sorriso se perde por aí. E onde você vai? Quem é você sonhando acordada? Construindo castelos que não irá habitar? Dando de presente o seu coração? Quem é você sendo vilã e mocinha? Quem é você perdida entre canções, emoções, entre histórias, criando a sua que você esquece sempre de contar?
     Questiono-me realmente sobre todo esse sistema. Buscar felicidade em todas as coisas, porque estar feliz é sobretudo o que mais importa. Mas a ti as coisas não parecem ser tão sem sentido? Vazias são as noites, a sua solidão. Bom é partilhar o ar, o coração. Conjugar o verbo amar. 
     E as coisas parecem ser sem sentido... 
    Tenho medo. O mundo não está preparado para os sonhadores... Sonhadores criam blog's, escrevem sem haver destinatário, sonham sem precisar dormir. Sonhadores vêem beleza onde não há, vêem diferente o que todos os outros vêem igual. Não têm medo de sonhar, mas temem por onde o mundo possa chegar. Sonhadores usam reticências, sonhadores são cautelosos, são audaciosos, são implícitos e explícitos, mas corajosos. Sonhadores arriscam. Sonhadores morrem todos os dias, às vezes, sem terem sido conhecidos. Sonhadores carregam em si um universo paralelo, rico, extenso, único, misterioso. Não-sonhadores nunca os entendem, e quando tentam fazê-lo, o fazem errado.
Sonhadores estão sempre a sonhar... Em qualquer hora, qualquer lugar.


Dedico esse post aos autores dos blogs que eu recomendo, em especial:
Básia's de Mim
Ventando...
Cartas.
Momentâneo
No mundo da Lua...
Crônicas de Lu
Distraído Estou Salvo

07 fevereiro, 2012

Seria, seria...

Manhã escura, cinzenta e fria. Cheiro de café me acordando, seu sorriso iluminando o quarto. Resquícios de amor despreguiçando os cantos da casa. Pés que empurram os meus, braços que me afagam e me carregam.
Vou escrever meus olhos vendo os seus, escrever nossos sorrisos, vou escrever eu e você. Eu em você. Nós. A minha utopia.
Ah, se estivesse... Tão majestoso seria!

06 fevereiro, 2012

É fugaz

    Meus extremos me inquietam como me afligem as metades que me cercam. Me rodeiam o cansaço e a amargura de tua alma, que vem e que vai. Quis, por ora, tirar-te da solidão. Quis mostrar-te a luz em que habito, mas me prendi na tua escuridão.
    Tentei partir, mas ao te ver partir, permaneci. Estatizei, não sei. Mas não mais fiquei. Disse-me adeus, escondeu-se na solidão. Não ser, não ter, não estar. Eu que fui, tive e estive, hoje sou, tenho e estou. Você não, ele não, eu sim.
    Com meus extremos, minha ternura, ausente de cansaço, sem alma amargurada, orgulhosa ou ferida, arrebatando o chão de onde passo. Arrancando o teu olhar distante, pois ainda o prendo e sei. Por mais que eu não veja, que seja doce a minha ilusão!
    Confusas palavras que balbucio, confusão em que habito; mas iluminada. E ao te ver, sorri. Pois sorriso ainda tenho, e é verdade, pois é amor sincero o que guardo, é amor sincero o que exalo.

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